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A vivência do caos: uma experiência de mudança em uma instituição de saúde mental Imprimir E-mail
Por Ana Carla Silvares Pompêo   
31 de maio de 2004
Índice de Artigos
A vivência do caos: uma experiência de mudança em uma instituição de saúde mental
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9) ANGÚSTIA, DEPRESSÃO E CULPA

Utilizarei os conceitos desenvolvidos por Grinberg (1983) para fazer uma caracterização dos conceitos acima.

Para o autor, a depressão e a angústia expressam um conflito. A angústia é uma reação frente a uma situação de perigo, na qual o ego prepara-se para enfrentar ou fugir, visando sua autopreservação. Na depressão é o contrário: nela ocorre uma paralisação provocada pelo fato do ego sentir-se completamente impotente para enfrentar a situação de perigo.

Para Klein (1946), a angústia personifica uma ameaça ao ego, decorrente do instinto de morte, e é a primeira causa de ansiedade (ansiedade ou angústia paranóide). Mais tarde, a ansiedade ou angústia depressiva vai se intensificando através das relações de objeto total, e se caracteriza pelo temor de ter lesado o objeto bom através dos ataques aos objetos internos. Essa ansiedade está extremamente relacionada ao sentimento de culpa e a uma tentativa de reparação do objeto danificado na fantasia ou na realidade.

Angústia seria uma resposta aos chamados perigos provenientes de fantasias (mundo interno), e, no caso, os perigos e ameaças reais desencadeariam uma reação que Grinberg (1988) prefere chamar de medo.

A culpa é uma reação decorrente do conflito entre ego e superego e pode ser responsável, quando intensa, pelo desencadeamento de um quadro depressivo, provocando diminuição da atividade psicomotora e da auto-estima. A depressão pode ser um quadro transitório ou de longa duração, dependendo de como for tratada nos estágios iniciais e de qual for a possibilidade do ego de reparar os objetos danificados ou perdidos.

Um dos estados graves de depressão é a depressão melancólica, que apresenta características de depressão psicótica, na qual o humor é marcado pelo pessimismo, ocasionado pela impotência do ego para alcançar seus objetivos. Trata-se de uma auto-agressão, caracterizada por uma regressão oral narcísica, provocada por conflitos entre ego e superego.

Os sintomas físicos mais comuns observados são: tristeza, apatia, diminuição de auto-estima, sensação de empobrecimento interno e de vazio intenso, desesperança, sentimentos de culpa e de auto-reprovação, fadiga, cansaço, falta de apetite, insônia, dentre outros.

A melancolia é caracterizada como um colapso narcísico, no qual há um retorno para as formas de satisfação características da fase oral e o direcionamento da agressão e do instinto de morte para dentro de seu próprio ego. Ocorre uma perda da capacidade de manter seus objetos internos, que passam a ser invadidos por sentimentos de ódio inconsciente.

O autor fala de semelhanças entre melancolia e paranóia. Quando o objeto persecutório introjetado é projetado no mundo externo, se desenvolveria um caso de paranóia.

Para Pichon-Rivière (1946) o melancólico é perseguido por sua consciência (culpa) e sua doença decorre de situações de frustração, de perdas e privações (In Grinberg, 1983).

Para Caper (2002) há uma diferença entre luto normal e doença depressiva:

A dor do luto deve-se a esta luta, e à culpa e ao remorso que sente como resultado do ódio a uma pessoa a quem também se ama. No início o ódio ganha a primazia, de maneira que o amor pelo objeto perdido - e a capacidade de amar em geral - fica temporariamente abolido. Isso produz a perda do interesse pelo mundo - a pessoa não ama mais nada. No luto normal, a força do amor finalmente se recupera, e o interesse pelo mundo volta... A capacidade de suportar a dor a fim de conservar o objeto está em constante risco de se perder se o ódio pelo objeto perdido ganhar a primazia. Essa segunda perda, a perda da capacidade de suportar a dor da perda do objeto é que coloca a ameaça da doença depressiva...A perda da auto-estima do depressivo em parte se deve ao reconhecimento inconsciente da incapacidade de amar seus objetos reais (ou seja, objetos que ele não sente como parte sua) e em parte se deve ao fato dele negar a perda identificando-se concretamente com o objeto (agora predominantemente não amado) (Caper, 2002: p.155).

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Última Atualização ( 23 de junho de 2008 )
 
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